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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A torre da igreja


Naquela  época eram longos os dias em que a chuva incessante, durante três meses, tantos quando durava o inverno caía com uma cadência tal que ainda hoje a recorda como se fosse ontem.
Parecia que o céu se abria e as nuvens choravam como se o mundo fosse acabar inundando os campos e fazendo com que os rios galgassem as margens transformando as planícies em redor em gigantescos lagos.
Por detrás da janela da sala apreciava ouvir o som da chuva que escorria dos beirais das habitações vizinhas. Era como um bálsamo para a sua alma de criança agitada.
As brincadeiras de rua eram proibidas naqueles dias, mas a caminho da escola desforrava-se em momentos de descontraída brincadeira pulando sobre as poças de água, muitas vezes geladas. Isto valeu-lhe muitas constipações e alguns ralhetes da mãe.
Depois as brincadeiras com as irmãs e mais tarde a leitura dos seus contos de fadas ajudá-la-iam a preencher esses dias e a criar o seu mundo do qual havia ainda tanto para descobrir.
Num dia de trovoada ouviu-se um enorme estrondo. Um raio atingira a torre da igreja mesmo ali próximo da sua casa danificando-a assim como a alguns telhados de habitações vizinhas. O coração quase lhe saltou do peito com o susto. Hoje a torre e o sino ainda continuam ali, sobranceiros ao rio, apesar das muitas tempestades a que continuam a resistir.

Texto 
Ailime
18.09.2015
Foto L.O.